NANCY VIEIRA

Com uma família oriunda da ilha da Boavista, ilha de areias saarianas Nancy veio a crescer na africanidade da Ilha de Santiago e na agitação cultural da quase nómada, Ilha de São Vicente. Liga-se à música em Lisboa, capital do fado, abraçando assim a lusofonia mestiça, com o charme e a delicadeza a que já habituou o seu público.

 

Manhã Florida é o quinto álbum da cantora, e o segundo que grava para a produtora Harmonia, parceira da Lusafrica no arquipélago. Nancy revela-se em Mim Sem Bo Amor, uma sublime morna composta por dois destacados autores da música de Cabo Verde, Vitorino Chantre, poeta e músico, pai de Teófilo, e Amândio Cabral, autor da emblemática Sodade. A primeira impressão é o controle e a suprema verdade na singular voz de Nancy, o que lhe valeu o título atribuído pela crítica portuguesa de “a mais bela voz de Cabo Verde”, no seio da nova geração.  A segunda, é a riqueza dos mundos musicais que se desdobram no fundo de um classicismo descomprometido.

 

Embarcamos numa viagem a Cabo Verde que nos leva de ilha em ilha, ao coração do Atlântico, entre África, Brasil, Europa e Caraíbas, ao sabor das guitarras e dos cavaquinhos tocados por alguns dos maiores instrumentistas cabo-verdianos da atualidade: Bau, Hernâni Almeida, Zeca Maurício, Zé Paris, ou Teófilo Chantre, ele que conduz igualmente a irrepreensível produção do álbum

Teófilo é o mais parisiense dos músicos cabo- verdianos, conhecido pelos temas que compôs para Cesaria Evora (desde o álbum Miss Perfumado, em 1992) mas também pelas suas colaborações com Bernard Lavilliers (Elle Chante, Y a pas qu’à New-York) ou com Marc Estèves (por Enrico Macias). Desde há 25 anos que se impôs como um dos artesãos essenciais ao sucesso da musica cabo-verdiana no mundo, em primeiro lugar pelos seus álbuns 6 discos editados e ainda pelas inúmeras colaborações com outros artistas do arquipélago, tanto enquanto autor, como compositor, ou produtor artístico. Foi por isso que naturalmente Nancy Vieira, que desde há muito interpreta músicas suas, o escolheu para produzir Manhã Florida. Ela que dedica este álbum à guitarra cabo - verdiana que tão unicamente acompanha o charme das melodias do arquipélago, entre a melancolia, a nostalgia e a alegria de viver. Uma atmosfera, que parece  vinda de outros tempos, em que muito assentou o sucesso de Cesaria, fizeram com que selecionasse com carinho o reportório dos autores clássicos (Amândio Cabral, Eugénio Tavares, Kaka Barbosa..) ou as canções da geração atual de Teófilo, Mário Lúcio, Betu, Tiolino, ou António Alves.

Nancy Vieira nasceu em 1975 em Bissau, onde os seus pais se juntaram ao líder da independência de Cabo Verde e da Guiné Bissau, Amílcar Cabral assassinado em 1973, mesmo antes da Revolução do 25 de Abril em Portugal.  Cabo Verde tornou-se independente em 1975. Quatro meses após o nascimento de Nancy, a família mudou-se para a Praia, a nova capital de Cabo Verde, na ilha de Santiago, uma das dez do arquipélago. Esta filha da liberdade adquiriu um forte sentido de identidade na sua jornada politica e artística. O seu pai um músico amador, guitarrista e violinista, torna-se ministro dos transportes e das comunicações do novo governo. Dez anos mais tarde, regressa ao Mindelo, o movimentado porto e metrópole da ilha de São Vicente, onde ocupou o cargo de governador das ilhas do Barlavento (as ilhas do vento, do norte).

Nancy tem catorze anos quando o pai é nomeado embaixador de Cabo Verde em Portugal o que englobava a representação de França, por isso foi mostrar as suas credenciais ao Presidente François Miterrand”, diz a jovem que viveu desde aí em Lisboa.Nancy estudou na universidade de Lisboa, gestão e sociologia. Uma noite, acompanhou um amigo que participava num concurso de canções, trauteou um tema, pediram-lhe que  cantasse e interpretou Lua Nha Testemunha de B.leza e venceu. O prémio foi a oportunidade de gravar um álbum para a já extinta editora Disco Norte. Intitulava-se Nos Raça este seu primeiro registo.(1996). 

Afastou-se o tempo necessário para ser mãe e cuidar da sua filha. 

 O seu segundo disco  Segred surge oito anos mais tarde em 2004, seguindo-se  Luz, em 2007.

 Em 2011, edita sob a direção do pianista Nando Andrade, No Amá, o álbum que a revelou ao publico internacional e graças ao qual conquista um publico sedento da magia de uma sonoridade espalhada por Cesaria Evora, desde a Polónia à Grécia, dos Países Baixos a Itália, da Holanda à Rússia...

Durante a colonização portuguesa o Liceu de São Vicente, era o local de influência intelectual, tendo sido frequentado por Amílcar Cabral, poeta, autor de algumas mornas e brilhante político. Nancy Vieira frequentou como aluna o mesmo local de ensino absorvendo a música de fundo do Porto do Mindelo, onde se cruzavam as sonoridades do Brasil nas vozes de  Maria Betânia, Caetano Veloso, Ângela Maria, o fado, as  mornas, as coladeras, a pop inglesa, a rumba cubana, e tantas outras.

 

O Mindelo foi o cenário de todas esta fusão musical e a casa de Cesaria Evora (1941-2011). 

Herculano Vieira, o pai de Nancy, que foi comandante na Marinha Mercante, tocou com Cesaria na sua juventude, “antes da luta” diz Nancy “ Descobri isso em 2011, quando gravei o meu álbum no Mindelo. Foi a primeira vez que visitei Cesaria em sua casa e ela disse-me: “Como está o Herculano? Fiquei muda, ele nunca me tinha dito nada!”. Não há propriamente uma ligação a Cesaria Evora, embora os seus reportórios e ligações musicais coincidam, os seus  estilos são diferentes A voz de Nancy Vieira É DIRETA E clara  distancia-se da voz quente da “diva dos pés descalços” A personalidade, as origens sociais, o caminho de vida, têm pouco em comum. O que as une são as afinidades secretas dos cabo-verdianos à sua musica, fronteira entre o Ocidente e a África, musica de viagens transoceânicas e de criolidade.

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